Tereza Granate

Ser mulher é acreditar sempre. É...Seguir em frente quando todos param! Acariciar e dar colo! Dividir-se em muitas sem deixar de ser uma, a mais importante! A mulher acontece, encanta, muda, nasce, floresce, cuida, cria, sente, beija, escuta, vê, brinca, brinca e brinca com a vida... e vive!

Egito – O berço da dança


O Egito Antigo é considerado um dos berços da dança do ventre, destacando-se as cidades do Cairo e Alexandria. Acredita-se que sua origem remonta ao Período Matriarcal, desde o Neolítico.
Teorias dizem que a dança estava presente em rituais religiosos que veneravam a deusa da fertilidade. Assim sendo, Sacerdotisas Egípcias costumavam usar movimentos ondulatórios do ventre e de batidas quadril para reverenciar Deuses como Ísis, Osíris, Hathor.
Alguns historiadores depositam maior crédito ao Egito como a origem mais provável da dança do ventre, pois encontraram vestígios de movimentos da dança retratados em esculturas femininas dos tempos faraônicos.
História da dança do ventre - Egito Antigo 

Seus movimentos sinuosos e de grande conexão com a música eram ritos religiosos e buscavam a conexão com as deusas que acreditavam ser responsáveis pela vida e pelos ciclos da natureza, a fim de preparar a mulher para se tornarem mães e ensiná-las os movimentos de contração do parto, ou seja, tratava-se de uma dança ritualística, em caráter religioso, sem apresentações em público.

A dança compõe-se basicamente de movimentos vibratórios, impacto, ondulações e rotações, sejam de partes do corpo, ou do corpo como um todo. Apesar da intencionalidade inicial, a dança ganhou aspectos sensuais, o que fez com que fosse excluída de alguns países árabes de caráter conservador.
Com o tempo, o caráter religioso dessa dança se modificou. Atualmente, é raro a dança ser praticada como um ritual. Mesmo ainda sendo considerada uma prática sagrada, a dança assumiu uma característica muito mais cultural, artística e profissional.
Originalmente seu nome é Racks el Sharqi, cujo significado é “Dança do Leste”. No Oriente é conhecida pelo nome em árabe Raqṣ Sharq literalmente "dança oriental" A Dança do Ventre é chamada “Dança do Leste”, pois tem como significado “onde o sol nasce”, e é de onde a mulher recebe as energias e o poder do Sol.
A dança começou a adquirir o formato atual, a partir de maio de 1798, com a invasão de Napoleão Bonaparte ao Egito, durante a Revolução Francesa quando recebeu o apelido: “Danse du Ventre “ pelos orientalistas franceses que acompanhavam Napoleão. Porém, durante a ocupação francesa no Cairo, muitas dançarinas fogem para o Ocidente, pois a dança era considerada indecente, o que leva à conclusão de que conforme as manifestações políticas e religiosas de cada época, era reprimida ou cultuada: o Islamismo, o Cristianismo e conquistadores como Napoleão Bonaparte reprimiram a expressão artística da dança por ser considerada provocante e impura.
No início da ocupação britânica em 1882, clubes noturnos com teatros, restaurantes e music halls, já ofereciam os mais diversos tipos de entretenimento.

                                           
                            A Princípio era o Baladi

Durante centenas de anos, começou a urbanização do Egito, quando moradores das áreas rurais foram para o Cairo e cidades mais centrais em busca de melhores trabalhos e qualidade de vida. Embora estejam estabilizados nestas cidades, sempre se mantiveram orgulhosos e conectados com suas raízes.
É este o lugar que eles sempre chamam de "casa": a vila ou aldeia de onde vieram.
Eles dizem: "ainda vou voltar para el-balad", que significa minha cidade, meu lugar de origem.
Baladi uma cultura milenar, da terra, lembranças dos ancestrais, o sentimento do Baladi veio na migração das áreas rurais para a capital, o Cairo. O Estilo que traz a natureza da mulher egípcia, a sua alegria a sua personalidade e os seus encantos. A dança Baladi muito comum e propagado pela cultura egípcia é uma dança muito popular encontrada nos centros urbanos, festas, entre amigos, etc. no Egito. Sentimentos de alegria, carinho, paixão e emoções provocantes, esse é o estilo Baladi. Assim como a música que caracterizam como Baladi, é cheia de sentimentos demonstrando emoções cotidianas, romances, as alegrias, o amor ao país, quem canta demonstra igualmente os sentimentos. Através da dança os egípcios da cidade grande revive suas origens.
O som nasce de uma improvisação vocal ou instrumental criando uma atmosfera muito especial onde a dança é uma comunicação corporal que transmite toda a essência ancestral das aldeias. Nesse momento todos os movimentos são soltos, leves, livres de complexidade e sem preocupação técnica, dançam com naturalidade de forma intuitiva sem pensar em certo e errado sem coreografar. A dança do Meleah Laff é uma representação, uma encenação do cotidiano. Não é uma dança tradicional de uma região e sim uma teatralização que representa o modo de ser de algumas mulheres, das mulheres Baladi, que ao saírem de casa, seja para irem ao mercado ou mesmo para realizarem qualquer outro afazer cotidiano, se enrolavam em um pano preto pesado como forma de recato e respeito, características essenciais quando nos referimos ao povo Baladi. Esse povo, apesar de ter se estabelecido na metrópole, mantém o sentimento por suas raízes e zela pela boa reputação e pela sua honra. A mulher Baladi é forte, orgulhosa de suas origens e tradições, mas sabe que é extremamente feminina e com seu charme pode conquistar tudo o que quer.
Fazendo uma comparação com a nossa cultura, o Baladi é para o Egito como o samba, o axé e o forró é para o Brasil. É uma dança de total improviso (não se coreografa) e sem influências ocidentais européias do ballet, o figurino é a Galabia (vestido simples) e um lenço no quadril,inicia-se com um Taqsim e conforme a música evolui passa para um Maqsum e volta para o Taqsim para um encerramento delicado.
Hossam Ramzy, músico egípcio, deixou registrado em seu site uma história que retrata de forma simples o que é o Baladi.
http://serenaramzy.com/portuguese/dance/dance_zeinab2.htm
Na opinião de Hossam  a melhor dançarina de Baladi na atualidade é Lucy e antiga Nagwa Fouad.
Qualquer dança egípcia popular em que não há um caráter folclórico é Baladi!

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